Você liga para a sua operadora. Ela atende rápido? Resolve rápido? Ou faz você ligar de novo?
Para quem trabalha com atendimento, essa pergunta resume o que importa: tempo de espera, resolução na primeira conversa e a capacidade de continuar ouvindo o cliente quando a operação cresce.
A IA para atendimento ao cliente gera mais valor quando deixa de atuar apenas como uma camada de resposta e passa a participar da jornada: compreender contexto, acessar informações, apoiar processos e saber quando envolver uma pessoa.
O case Mega Surf apresentado no CONAREC 2026 ajuda a mostrar essa mudança na prática. A operação combinou tecnologia, pessoas e inteligência sobre as conversas para crescer sem transformar escala em distanciamento do cliente. Com mais de 520 mil atendimentos por mês, a Mega Surf precisava manter a proximidade com cada cliente enquanto crescia.
O ponto central não é escolher entre IA ou atendimento humano. É definir onde cada um faz mais diferença.
Índice
O que muda quando a IA deixa de apenas responder?
Resposta curta: a IA passa a participar do que precisa acontecer depois da conversa — e não apenas do que precisa ser dito durante ela.
Em muitas operações de atendimento automatizado, o cliente recebe uma resposta, mas o trabalho continua manualmente: alguém precisa consultar um sistema, localizar uma informação, atualizar um registro, identificar uma exceção ou encaminhar o caso.
Quando a inteligência está conectada à jornada, ela pode ajudar a reduzir essas rupturas. O valor deixa de estar apenas no volume de respostas automatizadas e passa a estar na capacidade de levar a interação adiante com contexto.
Da resposta à ação. Da ação à resolução.
Por que escala e proximidade entram em tensão no atendimento?

Resposta curta: porque o crescimento aumenta volume, canais e complexidade, enquanto o cliente continua esperando clareza, continuidade e rapidez.
Esse foi um dos desafios colocados pela Mega Surf: como continuar ouvindo cada cliente de perto quando a operação cresce todos os meses?
Quem é a Mega Surf e por que o atendimento voltou para dentro de casa?
Resposta curta: porque a Surf Telecom decidiu colocar a experiência do cliente no centro, mesmo sendo o caminho mais trabalhoso.
A Surf Telecom é a quarta maior operadora de telefonia do Brasil, uma empresa 100% brasileira. Quando decidiu internalizar o atendimento, foi na contramão de um mercado em que muitas empresas terceirizavam. A decisão foi tratar atendimento como parte estratégica da experiência. A operação foi trazida para dentro de casa para aproximar equipes, tecnologia e cultura do negócio — uma escolha orientada por experiência, não apenas por custo. Segundo Amanda Zorzan, diretora de relacionamento com o cliente da Surf Telecom, a decisão não foi financeira: “a gente precisa ouvir a voz do cliente”.
Essa escolha trouxe uma conta própria. A central funciona 24 horas por dia, inclusive em feriados e fins de semana, e, em cerca de um ano e meio, mudou de prédio três vezes para acomodar o crescimento.
Como humanizar o atendimento com IA sem perder a identidade da marca?
Resposta curta: dando à IA o jeito de atender da empresa, em vez de uma única voz padrão para todos.
A Surf tem uma cultura de atendimento que ela mesma chama de artesanal. Por isso, a ideia de colocar IA no atendimento encontrou resistência dentro de casa. Amanda Zorzan conta que, quando a proposta apareceu, “coloquei o pezinho atrás”.
A solução foi evitar uma assistente única. A operação colocou no ar vários agentes de IA, homens e mulheres, de idades e sotaques diferentes. Cada vez que o cliente liga, fala com uma voz diferente, e alguns clientes nem percebem que estão falando com uma IA.
A IA também responde no formato em que o cliente escolheu falar: quem liga recebe voz, quem escreve recebe texto e quem manda áudio recebe áudio. Em um dos casos acompanhados pela equipe, uma cliente mandou um áudio pelo WhatsApp explicando que não sabia ler nem escrever e perguntando se podia ser atendida ali mesmo. A IA respondeu por áudio e resolveu o problema do início ao fim, sem precisar transferir para uma pessoa.
Para aprofundar o tema, leia também: atendimento humanizado.
IA e pessoas: qual é o papel de cada uma?
A principal lição é que inteligência artificial não precisa ser uma camada isolada. Ela pode fazer parte de uma arquitetura em que tecnologia e pessoas assumem papéis diferentes dentro da mesma jornada.
Na prática, isso significa identificar o que é previsível, repetitivo e analisável em escala — e liberar as pessoas para situações em que julgamento, contexto, empatia e negociação continuam fundamentais.
IA quando faz sentido. Pessoas quando fazem a diferença.
| Onde a IA pode absorver volume | Onde o humano ganha espaço |
| Perguntas simples: “Qual é o meu plano?”, “Como ativo?” | Casos complexos, sensíveis ou fora do padrão |
| Solicitações rotineiras: 2ª via, troca de dados, abertura de chamado | Conversas que importam, com escuta empática e julgamento |
| Análise de sentimento durante a conversa | Decisão e relacionamento |
| Classificação de criticidade e urgência | Trabalho de maior valor |
Essa divisão não significa criar uma fronteira rígida entre IA e pessoas. O objetivo é preservar o contexto e permitir que a jornada continue quando o atendimento precisa mudar de agente, canal ou nível de complexidade.
A IA não tirou a vez das pessoas. A operação continua funcionando 24 horas por dia, a Surf segue contratando, e o time passou a atuar em demandas que pedem uma atenção diferente. Esse é o papel do atendente virtual: absorver o que é previsível para que a equipe tenha tempo para o que exige escuta e decisão.
O que é Speech Analytics e como funciona na prática?

Resposta curta: Speech Analytics transforma ligações em dados analisáveis, permitindo identificar temas, sentimentos, intenções e padrões de qualidade em escala.
No case Mega Surf, as ligações passam a ser transcritas e analisadas para apoiar avaliação de qualidade, identificar temas e sentimentos e gerar insights para treinamento e melhoria contínua.
Isso muda a lógica de monitoria de qualidade. Em vez de depender apenas de amostras pequenas de ligações, a operação ganha capacidade de olhar para 100% das ligações e dos chats e encontrar padrões que poderiam passar despercebidos.
Antes, a monitoria da Surf era feita de forma artesanal e alcançava no máximo cerca de 2% das ligações. Além do limite de escala, havia o fator humano: a avaliação dependia de quem estava ouvindo naquele dia.
Na prática, a IA atribui uma nota ao atendimento de acordo com os critérios definidos pela própria empresa. Na mesma tela, o gestor vê o resumo da conversa, o áudio gravado e o trecho em que a IA identificou, por exemplo, falta de empatia ou insegurança do atendente, junto com sugestões de correção.
O Speech Analytics também antecipa problemas. Quando um cliente menciona que vai procurar o Procon ou o Reclame Aqui, ou demonstra sinais de cancelamento, o sistema gera um alerta já no primeiro atendimento. A equipe de ouvidoria deixa de agir depois que o problema chega a um canal externo e passa a tratar o caso antes.
Quais resultados a Mega Surf alcançou?
Os indicadores apresentados no CONAREC mostram a escala e o impacto da operação:
| Indicador | Resultado | O que significa |
| Atendimentos | +520 mil atendimentos/mês | Volume mensal de atendimentos da operação |
| Retenção | 80% retenção média | Atendimentos resolvidos pela IA, sem transferência para atendente humano |
| Tempo em fila | -60% tempo médio em fila | Redução do tempo que o cliente espera para ser atendido |
| Rechamada | -50% taxa de rechamada | Menos clientes precisando ligar de novo pelo mesmo motivo |
| Custo | R$ 1,7 mi custo evitado/mês (estimado) | Estimativa de custo que deixou de existir com a automação |
Fonte: apresentação do case Mega Surf no CONAREC 2026.
Na frente de Speech Analytics, o material também aponta redução de até 70% no tempo de análise das monitorias e aumento de até 3x na assertividade para identificar oportunidades de melhoria.
Quais aprendizados podem ser levados para outras operações?
- IA humanizada não significa imitar uma pessoa. Significa desenhar tecnologia conectada à identidade da empresa, ao contexto do cliente e às regras da operação. Na Mega Surf, isso significou vozes e sotaques diferentes para os agentes de IA.
- Escala e proximidade podem coexistir. A automação deve retirar atrito e volume repetitivo sem quebrar a continuidade da experiência. Com menos fila e a operação funcionando 24 horas por dia, o atendimento ganha qualidade sem depender de um supervisor cobrando o tempo de cada ligação.
- As conversas são também uma fonte de inteligência. Voz e chat não servem apenas para atender. Também revelam temas, sentimentos, falhas recorrentes e oportunidades de melhoria. Sair de 2% para 100% das ligações monitoradas permite avaliar com critérios consistentes e agir antes de a reclamação crescer.
- Tecnologia precisa conversar com cultura. No case, o entendimento da cultura e a parceria na transformação aparecem como fatores importantes para vencer resistência e sustentar a mudança. Segundo Amanda Zorzan, a L5 conhecia a operação e as dores da Surf e foi “cirúrgica” na forma de trazer a IA.
A discussão sobre IA no atendimento está deixando de ser apenas “quanto conseguimos automatizar?”. A pergunta mais útil é: em quais pontos a inteligência consegue compreender, conectar, agir e ajudar a operação a chegar à resolução com menos atrito?
Quando essa lógica é combinada a pessoas, dados e processos, a IA deixa de ser um bot isolado e passa a fazer parte da jornada.
O Callbox AI é o módulo de inteligência artificial do Callbox, plataforma de atendimento da L5 Networks. Ele conecta modelos de IA de referência, como OpenAI e Gemini, às APIs e ao conteúdo de cada cliente, e reúne agentes de voz e chat, Speech Analytics e automação com contexto.
A experiência de mais de 20 anos da L5 com voz é um diferencial em um mercado em que muitas soluções de IA para atendimento ainda se concentram em chat.
Perguntas frequentes sobre IA no atendimento
O que é inteligência artificial no atendimento ao cliente?
É o uso de tecnologias capazes de compreender interações, analisar contexto, automatizar tarefas e apoiar processos de atendimento. O valor aumenta quando a IA está conectada a dados, sistemas e pessoas.
IA no atendimento substitui pessoas?
Não necessariamente. Em operações bem desenhadas, a IA pode absorver tarefas previsíveis e repetitivas, enquanto pessoas atuam em casos complexos, decisões, negociação e relacionamento.
O que é Speech Analytics?
Speech Analytics é a análise automatizada de chamadas para transcrever conversas e identificar temas, sentimentos, intenções, padrões de qualidade e oportunidades de melhoria.
Como começar a aplicar IA em uma operação de atendimento?
O primeiro passo é mapear jornadas, identificar rupturas e separar o que é previsível do que exige contexto humano. A tecnologia deve entrar onde consegue reduzir atrito sem perder continuidade.
É possível ter IA no atendimento sem perder o toque humano?
Sim. No case da Mega Surf, a operação usou vários agentes de IA com vozes e sotaques diferentes, respondeu no formato escolhido pelo cliente (voz, texto ou áudio) e manteve as pessoas nos casos que exigem escuta e decisão.
Como o Speech Analytics melhora a monitoria de qualidade?
Ele permite avaliar 100% das ligações e dos chats, em vez de uma pequena amostra. A IA pontua o atendimento com os critérios da própria empresa, mostra o trecho avaliado e gera alertas de risco, como menção a órgãos de defesa do consumidor ou sinais de cancelamento.





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